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terça-feira, 19 de abril de 2011

A Importância da Ética na Maçonaria


A abordagem de um assunto complexo exige algumas premissas, que, embora verdades inconcussas podem ser, muitas vezes, esquecidas, em benefício de interesses pessoais de momento.
A primeira premissa esclarece que a Maçonaria é uma Fraternidade. Ora, o substantivo feminino fraternidade designa o parentesco de irmãos, o amor ao próximo, a harmonia, a boa amizade, a união ou convivência como de irmãos. Isso leva à conclusão de que, na organização designada, genericamente, como Maçonaria, ou Franco-Maçonaria, definida como uma Fraternidade deve prevalecer a harmonia e reinar a união ou convivência como de irmãos.

A segunda premissa afirma que a Maçonaria, como uma Fraternidade, deve ser uma instituição fundamentalmente ética. O substantivo feminino ética designa a reflexão filosófica sobre a moralidade, ou seja, sobre as regras e códigos morais que orientam a conduta humana; refere-se, também, à parte da Filosofia que tem por objetivo a elaboração de um sistema de valores e o estabelecimento dos princípios normativos da conduta humana, segundo esse sistema de valores. Sendo, a Maçonaria, até pela sua definição, uma organização ética, devem ser rígidos os códigos de moral e alto o sistema de valores, que orientam a conduta entre maçons.

Todos os códigos maçônicos ressaltam a importância dos valores éticos entre maçons, ou seja, entre Irmãos. Isso está bem evidente em disposições inseridas em textos constitucionais, as quais, com pequenas variações de Obediência para Obediência, afirmam que, entre outros, são deveres do maçom:

"Reconhecer como Irmão todo maçom e prestar-lhe, em quaisquer circunstâncias, a proteção e ajuda de que necessitar, principalmente contra as injustiças de que for alvo;

Haver-se sempre com probidade, praticando o bem, a tolerância e a fraternidade humana".

E completam, destacando que:

"Não são permitidas polêmicas de caráter pessoal nem ataques prejudiciais à reputação de Irmãos, nem se admite o anonimato".

A ética, todavia, não fica restrita apenas às relações entre maçons, mas, também, às destes com as Obediências que os acolhem, principalmente nas referências a estas, ou aos seus dirigentes, em textos escritos. Isso está bem caracterizado no dispositivo legal, que admite ser direito do maçom:

"Publicar artigos, livros, ou periódicos que não violem o sigilo maçônico nem prejudiquem o bom conceito da Grande Loja".

A par, entretanto, dessa ética de caráter interno, há aquela reconhecida em todos os meios sociais e que considera atentatórias às regras e códigos morais das sociedades ditas civilizadas, atitudes como:

1. Divulgar denúncia de fatos, sem a necessária comprovação, o que envolve difamação e calúnia;

2. Difamar e atacar pessoas, em conversas e em reuniões, sem a presença dos atingidos pelos ataques;

3. Divulgar, por qualquer veículo, o texto de cartas particulares e, portanto, confidenciais;

4. Atacar pessoas e instituições, sem lhes dar o direito de resposta no mesmo veículo e no mesmo local em que foi publicado o ataque;

5. Ter conhecimento de que alguém está incorrendo em atitudes antiéticas, como as citadas, e nada fazer, ou, o que é pior, ajudar a incrementá-las;

6. Aproveitar uma situação de inimputabilidade penal --- por qualquer motivo, inclusive senilidade --- para produzir ataques, difamações e injúrias contra pessoas e/ou instituições.

Atitudes antiéticas, como essas citadas, ocorrem todos os dias, na sociedade atual, principalmente em épocas de campanha eleitoral, de crises econômicas, de tumulto social; ocorrem, também, nos meios onde a intriga e os mexericos fazem parte do ofício e trazem dividendos financeiros, como é o caso das "colunas sociais" e da mídia especializada em futricas de rádio, televisão e teatro. É claro que ocorrem! A sociedade atual, graças ao esgarçamento de sua estrutura familiar e ao avanço avassalador da amoralidade, é, hoje, altamente antiética: a solidariedade é moeda em baixa; o respeito às demais pessoas é praticamente inexistente; o acatamento da lei e da ordem vai escorrendo pelo ralo; a deslealdade, no sentido de auferir vantagens, vai de vento em popa; quem está por cima, pisa na cara de quem está por baixo; e quem está por baixo tenta puxar o tapete de quem está por cima.

A Maçonaria, contudo, deveria dar o exemplo de moral e de ética. Afinal de contas, ela afirma, em todas as suas Cartas Magnas, que:

"Pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. (...) Proclama que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um". Nem sempre, porém, isso acontece.

A Instituição maçônica, doutrinariamente, é perfeita, mas os homens são apenas perfectíveis. Procuram se aperfeiçoar, mas muitos nem sempre conseguem o seu intento, mesmo depois de muitos e muitos anos de vida templária, persistindo nas atitudes aéticas e antiéticas, que lhes embotam o espírito e assolam o ideal de solidariedade, de moral e de respeito à dignidade humana.

Para aqueles que pretendem, realmente, se aperfeiçoar, valem os conselhos contidos numa mensagem encontrada na antiga igreja de Saint Paul, em Baltimore, datada de 1692:

“Vá plácido entre o barulho e a pressa, lembre-se da paz que pode haver no silêncio”. Tanto quanto possível, sem capitular, esteja de bem com todas as pessoas. Fale a sua verdade, clara e calmamente; e escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes, pois também eles têm a sua história. Evite pessoas barulhentas e agressivas. Elas são tormento para o espírito. Se você se comparar a outros, pode se tornar vaidoso e amargo, porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Desfrute suas conquistas, assim como seus planos. Mantenha-se interessado em sua própria carreira, ainda que humilde; é o que realmente se possui, na sorte incerta dos tempos. Exercite a cautela nos negócios, porque o mundo é cheio de artifícios. Mas não deixe que isso o torne cego à virtude que existe; muitas pessoas lutam por altos ideais e, por toda parte, a vida é cheia de heroísmo. Seja você mesmo. Principalmente, não finja afeição, nem seja cínico sobre o amor, porque, em face de toda aridez e desencanto, ele é perene como a grama. Aceite, gentilmente, o conselho dos anos, renunciando, com benevolência, às coisas da juventude. Cultive a força do espírito, para proteger-se, num infortúnio inesperado.

Mas não se desgaste com temores imaginários. Muitos medos nascem da fadiga e da solidão. Acima de uma benéfica disciplina, seja bondoso consigo mesmo. Você é filho do Universo; não menos que as árvores e as estrelas, você tem o direito de estar aqui. E que seja claro, ou não, para você, sem dúvida o Universo se desenrola como deveria. Portanto, esteja em paz com Deus, qualquer que seja a sua forma de conhecê-lo, e, sejam quais forem sua lida e suas aspirações, na barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com sua alma. Com todos os enganos, penas e sonhos desfeitos, este ainda é um mundo maravilhoso. Esteja atento!

Fonte: – Ir.’. José Castellani (http://www.culturabrasil.pro.br/a_etica_maconica.htm)

terça-feira, 15 de março de 2011

MAÇONARIA – MORAL E DOGMA


A Maçonaria possui em sua filosofia um ensinamento que pode ser expresso num simples ditame: “Proteja os oprimidos dos opressores; e dedique-se à honra e aos interesses de seu País”.
Maçonaria não é especulativa nem teórica, mas experimental, não sentimental, mas prática. Ela requer renúncia e autocontrole. Ela apresenta uma face severa aos vícios do homem e interfere em muitos de nossos objetivos e prazeres. Penetra além da região do pensamento vago; além das regiões em que moralizadores e filósofos teceram suas belas teorias e elaboraram suas esplêndidas máximas, alcançando as profundezas do coração, repreendendo-nos por nossa mesquinhez, acusando-nos de nossos preconceitos e paixões e guerreando contra nossos vícios.

É uma luta contra paixões que brotam do seio dos mais puros sentimentos, um mundo onde preconceitos admiráveis contrastam com práticas viciosas, de bons ditados e más ações; onde paixões abjetas não são apenas refreadas pelos costumes e pelos cerimoniais, mas se escondem por trás de um véu de bonitos sentimentos. Esse solecismo tem existido por todas as épocas. O sentimentalismo católico tem muitas vezes acobertado a infidelidade e o vício. A retidão dos protestantes apregoa, frequentemente, a espiritualidade e a fé, mas negligencia a verdade simples, a candura e a generosidade; e a sofisticação do racionalismo ultraliberal em muitas ocasiões conduz ao céu em seus sonhos, mas chafurda na lama de suas ações.

Por mais que exista um mundo de sentimentos maçônicos, ainda assim ele pode ser um mundo onde ela está ausente. Ainda que haja um sentimento vago de caridade maçônica, generosidade e desprendimento faltam a prática ativa da virtude, da bondade, do altruísmo e da liberalidade. A Maçonaria assemelha-se aí às luzes frias, embora brilhantes.Há clarões ocasionais de sentimentos generosos e viris, um esplendor fugaz de pensamentos nobres e elevados, que iluminam a imaginação de alguns. Mas não há o calor vital em seus corações.

Boa parte dos homens tem sentimentos, mas não princípios. Os sentimentos são sensações temporárias, enquanto os princípios são como virtudes permanentemente impressas na alma para seu controle. Os sentimentos são vagos e involuntários; não ascendem ao nível da virtude. Todos os têm. Mas os princípios são regras de conduta que moldam e controlam nossas ações. Pois é justamente neles que a Maçonaria insiste.

Nós aprovamos o que é certo, mas geralmente fazemos o que é errado; essa é a velha história das deficiências humanas. Ninguém encoraja e aplaude injustiça, fraude, opressão, ambição, vingança, inveja ou calúnia; ainda assim, quantos dos que condenam essas atitudes são culpados delas, eles mesmos.

Já nos foi dito: “Homem, quem quer que sejas, se julgas, para ti não há desculpa, porque te condenas a ti mesmo, uma vez que fazes exatamente as mesmas coisas.”

É surpreendente ver como os homens falam das virtudes e da honra e não pautam suas vidas nem por uma nem por outra. A boca exprime o que o coração deveria ter em abundância, mas quase sempre é o reverso do que o homem pratica.

Os homens podem realmente, de certo modo, interessar-se pela Maçonaria, mesmo que muitos deficientes em virtudes. Um homem pode ser bom em geral e muito mau em particular: bom na Loja e ruim no mundo profano, bom em público e mau para com a família.

Muitos desejam sinceramente ser bons maçons. Mas é preciso que resistam a certos estímulos, que sacrifiquem certos caprichos. Como é ingrato aquele que morre medíocre, sem nada fazer que o glorifique para os Céus. Sua vida é como árvore estéril, que vive, cresce, exaure o solo e ainda assim não deixa uma semente, nenhum bom trabalho que possa deixar outro depois dele! Nem todos podem deixar alguma coisa para a posteridade, mas todos podem deixar alguma coisa, de acordo com suas possibilidades e condições.

Quem pretender alçar-se aos Céus, sozinho dificilmente encontrará o caminho.

A operosidade jamais é infrutífera. Se não trouxer alegria com o lucro, ao menos, por mantê-lo ocupado, evitará outros males. Tem-se liberdade para fazer qualquer coisa, devemos encará-la como uma dádiva dos Céus; tem-se a predisposição de usar bem essa liberdade, então é uma dádiva da Divindade.

Maçonaria é ação, não inércia. Ela exige de seus iniciados que trabalhem, ativa e zelosamente, para o benefício de seus Irmãos, de seu país e da Humanidade. É a defensora dos oprimidos, do mesmo modo que consola e conforta os desafortunados. Frente a ela é muito mais honroso ser o instrumento do progresso e da reforma do que se deliciar nos títulos pomposos e nos autos cargos que ela confere. A Maçonaria advoga pelo homem comum no que envolve os melhores interesses da Humanidade. Ela odeia o poder insolente e a usurpação desavergonhada. Apieda-se do pobre, dos que sofrem, dos aflitos; e trabalha para elevar o ignorante, os que caíram e os desafortunados.

A fidelidade à sua missão será medida pela extensão de seus esforços e pelos meios que empregar para melhorar as condições dos povos. Um povo inteligente, informado de seus direitos, logo saberá do poder que tem e não será oprimido. Uma nação nunca estará segura se descansar no colo da ignorância. Melhorar a massa do povo é a grande garantia da liberdade popular. Se isso for negligenciado, todo o refinamento, a cortesia e o conhecimento acumulado nas classes superiores perecerão mais dia menos dia, tal como capim seco no fogo da fúria popular.

Não é a missão de a Maçonaria engajar-se em tramas e conspirações contra o governo civil. Ela não faz propaganda fanática de qualquer credo ou teoria; nem se proclama inimiga de governos. Ela é o apóstolo da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Não faz pactos com seitas de teóricos, utopistas ou filósofos. Não reconhece como seus iniciados aqueles que afrontam a ordem civil e a autoridade legal, nem aqueles que se propõem a negar aos moribundos o consolo da religião. Ela se coloca à parte de todas as seitas e credos, em sua dignidade calma e simples, sempre a mesma sob qualquer governo.

A Maçonaria reconhece como verdade que a necessidade, assim como o direito abstrato e a justiça ideal, deve ter sua participação na elaboração das leis, na administração dos afazeres públicos e na regulamentação das relações da sociedade. Sabe o quanto a necessidade tem por prioridade nas lidas humanas. A Maçonaria espera e anseia pelo dia em que todos os povos, mesmo os mais retrógrados, se elevem e se qualifiquem para a liberdade política, quando, como todos os males que afligem a terra, a pobreza, a servidão e a dependência abjeta não mais existirão. Onde quer que um povo se capacite à liberdade e a governar-se a si próprio, aí residem as simpatias da Maçonaria.

A Maçonaria jamais será instrumento de tolerância para com a maldade, de enfraquecimento moral ou de depravação e brutalização do espírito humano. O medo da punição jamais fará do maçom um cúmplice para corromper seus compatriotas nem um instrumento de depravação e barbarismo. Onde quer que seja, como já aconteceu, se um tirano mandar prender um crítico mordaz para que seja julgado e punido, caso um maçom faça parte do júri cabe a ele defendê-lo, ainda que à vista do cadafalso e das baionetas do tirano.

O maçom prefere passar sua vida oculto no recesso da penumbra, alimentando o espírito com visões de boas e nobres ações, do que ser colocado no mais resplandecente dos tronos e ser impedido de realizar o que deve.

Se ele tiver dado o menor impulso que seja a qualquer intento nobre; se ele tiver acalmado ânimos e consciências, aliviado o jugo da pobreza e da dependência ou socorrido homens dignos do grilhão da opressão; se ele tiver ajudado seus compatriotas a obter paz, a mais preciosa das possessões; se ele cooperou para reconciliar partes conflitantes e para ensinar aos cidadãos a buscar a proteção das leis de seu país; se ele fez sua parte, com os melhores e pautou-se pelas mais nobres ações, ele pode descansar, porque não viveu em vão.

A Maçonaria ensina que todo poder é delegado para o bem e não para o mal do povo. A resistência ao poder usurpado não é meramente um dever que o homem deve a si próprio e a seu semelhante, mas uma obrigação que ele deve a Deus para restabelecer e manter a posição que Ele lhe confiou na criação. O maçom sábio e bem informado dedicar-se-á à Liberdade e à Justiça. Estará sempre pronto a lutar em sua defesa, onde quer que elas existam. Não será nunca indiferente a ele quando a Liberdade, a sua ou a de outro homem de mérito, estiver ameaçada.

O verdadeiro maçom identifica a honra de seu país como a sua própria. Nada conduz mais à glória e à beleza de um país do que ter a justiça administrada a todos de igual modo, a ninguém negada, vendida ou preterida.

Não se esqueçam, pois daquilo a que você devotou quando entrou na Maçonaria: defenda o fraco contra o truculento.

Autor: Ir.’. Gabriel Campos de Oliveira – GOB - Divinópolis - MG.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A MAÇONARIA NÃO É FEITA À MEDIDA DAS ILUSÕES DO NEÓFITO

Depois de merecido descanso vemos que o recesso maçônico transcorreu sem qualquer percalço. Um novo ano se inicia trazendo enormes desafios, traduzidos na necessidade de permanecermos unidos e focados na defesa das tradições maçônicas. Para começarmos bem nossa tarefa, vamos nos entregar à leitura e reflexão desse belíssimo trabalho realizado pelo nosso Irmão Milo Bazaga.

Conta-se que perguntaram a Pitágoras, após ter sido iniciado nos Mistérios, o que tinha visto no Templo, tendo ele respondido - simplesmente: NADA.
Porém Pitágoras era Pitágoras. Se ao sair do Templo egípcio não tinha visto "nada", não se limitou a sair decepcionado, senão buscando a origem deste "nada"; saiu buscando a origem deste "nada"; e descobriu que era em si mesmo que não tinha visto "nada mais", que desejos e ilusões.
Foi então que começou seu caminho para a sabedoria.
Muitos Irmãos recém-iniciados se afastam da Ordem porque em suas Lojas não encontram nada, porque na Maçonaria não se faz "nada"; outros se queixam de que nas Lojas se fala muito de simbolismo e nada mais; que a Maçonaria é uma Instituição para se fazer amigos e nada mais; que só comparecem aos trabalhos das Lojas para perder tempo e nada mais.
Propomos perguntar-nos: o que significa este "nada" em relação à Maçonaria?
Fulano não vai mais à sua Loja porque não encontrou nada... E como é que não encontrou nada? Não encontrou o Templo com seu altar, os móveis, as colunas e a decoração? Não encontrou os Irmãos reunidos na Loja? E como é que diz que não encontrou nada e que o simbolismo não significa nada?
Encontrou então pelo menos o simbolismo? E como é que pode dizer que na Maçonaria não se faz nada e na Loja se fala muito e nada mais? Então se faz algo, ainda que seja nada mais que falar....
Parece que o nada que se encontra na Maçonaria não deve ser tomado ao pé da letra.
O neófito que entra no Templo encontra algo, porém não encontra o que busca; isto dá margem a várias perguntas o "que busca" o profano que solicita ser iniciado? O que a Maçonaria não pode oferecer? O que a Maçonaria pode oferecer? O que encontra o neófito ao dizer que não tem nada?
Procuramos responder estas perguntas de um ponto de vista estritamente pessoal.
O QUE BUSCA O INICIADO?
Pode solicitar seu ingresso por vários motivos, desde o mais grosseiro materialismo, o desejo de encontrar protetores para seus negócios de qualquer espécie, até o motivo do mais elevado sentimento de humanismo.
Em regra geral, é mistura de tudo, acrescido de curiosidade; e frequentemente haverá um sentimento da própria imperfeição acrescido do desejo de melhorar-se e aperfeiçoar-se.
Não é raro também que se espere encontrar na Maçonaria um estímulo à ação pra compensar a própria falta de atividade; ideias extraordinárias e originais que ponham em funcionamento o pensamento e a imaginação própria.
É um dos problemas da Maçonaria que, pelo segredo e discrição que devem guardar seus integrantes, o profano chega geralmente as nossas portas desconhecendo realmente o que o espera, vindo em contrapartida cheio de esperança e ilusões que vão do inadequado ao absurdo.
O QUE NA MAÇONARIA "NÃO PODE OFERECER"?
A Maçonaria não é feita à medida das ilusões do neófito.
Se este procurou uma renovação completa de sua personalidade por meio de um remédio amostra grátis e que se oferece a todo aquele que entra na Ordem, equivocou-se.
Damos-lhe a luz, as ferramentas para trabalhar, mostramos-lhe a pedra bruta e o modo de trabalhar nela. O resto é assunto do neófito.
Tem que trabalhar para receber o seu salário e este lhe é dado segundo a quantidade e a qualidade do seu trabalho. Não pode exigir que se lhe de tudo de uma só vez, sem fazer o menor esforço.
Então acontece que o neófito não acha o que buscava.
Ele buscava um meio cômodo para tornar sua vida mais fácil e agradável, para sentir-se importante sem esforço algum, para viver em paz consigo mesmo.
E como não acha o que buscava, diz simplesmente:
Não encontrei nada.
Com isto expressa que tudo o mais que encontra não tem importância para ele; e que, aquilo que não encontra é o que ele queria e nada mais.
Dizer que a Maçonaria não faz nada é outra maneira de se revelar, que se quer conseguir satisfações de amor próprio a baixo custo.
Se na Maçonaria estivesse se cristalizando uma obra de autêntico humanismo, poderíamos participar da glória da sua realização sem que tivéssemos o trabalho de planejar e organizar sua execução.
Se a Maçonaria fosse aquilo que querem os que se queixam de não encontrar nada nela, ela seria idêntica às sociedades múltiplas de beneficência e clubes de serviço, cujos principais objetivos parecem ser que seus membros apareçam na imprensa escrita, falada e televisionada a qualquer pretexto.
Todas estas satisfações de amor próprio, todas estas ilusões e esperanças vazias, é o que a Maçonaria não oferece.
Por isso é que aqueles que buscam isso, não encontram "nada".
O QUE A MAÇONARIA PODE OFERECER?
Do ponto de vista das pessoas mencionadas anteriormente, nada, pois para eles o trabalho, o estudo, não são nada, e se não tiverem a paciência necessária se afastarão.
Quanto mais irreais, fantásticas, foram suas esperanças, mais necessitarão para encontrar o que oferece a Maçonaria, e que são: trabalho, ferramentas para executá-lo, o salário que somente se obtêm trabalhando.
O neófito têm que aprender que na Maçonaria não encontrará satisfação alguma senão em razão de seu próprio trabalho.
Através de seu aprendizado se dará conta de que se a Maçonaria lhe der, sem sacrifício, as satisfações que estava procurando, então, sim, poderá dizer que não é nada.
O que acontece é que o homem moderno tem do trabalho um conceito muito diferente do que tinham as corporações de construtores da antiguidade.
Para a maioria, hoje, o trabalho é escravidão, atividade mecânica, impessoal, algo que se faz porque se tem que viver e comer, e sem trabalho não há comida; algo que se faz sem grande satisfação, esperando que o relógio marque a hora da saída.
Daí, então, partimos para o descanso, a diversão, as comodidades.
São poucos aos quais a sorte reservou um trabalho construtivo e menos ainda, existem pessoas capazes de buscar e achar o descanso em uma atividade criadora.
O construtor medieval não se preocupava em apressar o tempo para terminar a catedral, mas sim se detinha nos detalhes da construção, acrescentando uma grande variedade de enfeites e esculturas para a arquitetura, simplesmente porque sentia o gosto de criar algo de belo e bonito.
Nós já não compreendemos mais facilmente este prazer pelo trabalho. Queremos que o trabalho termine o mais depressa possível, para que possamos nos dedicar a outras atividades nas quais encontramos mais prazer.
Necessitamos voltar a descobrir que a vocação artística do homem - a única que lhe dá plena satisfação - não é apêndice pensante da máquina, e sim a de procurar realizar um trabalho criador.
O QUE ENCONTRA O NEÓFITO AO DIZER QUE NÃO TEM NADA?
Bate à porta do templo, se abre a mesma para ele e não encontra nada. Para ele, o que é este "Nada"?
Já dissemos tomar a palavra em sentido estrito é um absurdo. Algo ele encontra e, se nós o pressionamos um pouco, ele nos dirá: Não há nada, somente palavras, somente ritualística, somente símbolos, somente ideias antiquadas.
Algo, portanto encontra, porém não o que buscava. E como o que ele encontra não é nada em comparação com o que ele buscava, diz simplesmente que não há nada.
Porém, este nada não é somente um fenômeno negativo. Este nada é como um gérmen, algo novo e grande.
O Irmão que se afasta da Loja queixando-se de não haver encontrado nada, não se limita somente a isto. Afasta-se desgostoso, decepcionado.
O encontro com o nada o afetou no mais profundo do seu ser.
Não achou o que buscava, porém, achou precisamente seu próprio desgosto, sua própria decepção.
Ainda que se vá de nosso convívio, sua decepção o segue. E ainda que não o confesse, não deixará de pensar, de vez em quando, que para encontrar algo, se necessitam duas coisas: algo que exista e alguém que saiba procurar.
Ao lado do seu orgulho, porque ele não se deixou enganar, estará a constante inquietude acerca do que terão encontrado os que ficaram, e que ele não soube encontrar.
Se vê, assim, posto frente a frente, com sua própria insuficiência. Com seu próprio NADA.
Se for sincero consigo mesmo reconhecerá que onde não encontrou nada foi em si mesmo.
Este é o ponto onde começa a germinar a ideia maçônica.
Se o Irmão chegar a este ponto.