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terça-feira, 16 de setembro de 2014

MAÇONARIA E O APRENDIZ MAÇOM

I         -         A PEDRA BRUTA
À direita e à esquerda do “Quadro do Aprendiz” figuram uma Pedra Bruta e uma Pedra Cúbica. Se certos símbolos maçônicos provocaram poucos comentários, a Pedra bruta e a Pedra cúbica não estão nesse caso. Aqui as dissertações abundam e os cursos de moral se inflam, transformando-se em rios. A Pedra Bruta simboliza as imperfeições do espírito e do coração que o Maçom deve se esforçar por corrigir. A Pedra bruta, com efeito, pode ser considerada como o símbolo da Liberdade, e a Pedra talhada como o símbolo da Escravidão. Vemos o profano apresentar-se à porta do Templo e pedir Luz. Uma Loja, justa e perfeita, proporciona-lhe essa Luz e, ao mesmo tempo, liberta-o iniciaticamente da servidão. Livre, o neófito simbolizará sua liberdade por uma “pedra bruta”, com a qual se identificará. E a Pedra talhada, terminada, composta de todos os preconceitos, de todas as paixões, de toda intransigência das fórmulas absolutas, aceitas sem controle como expressão de uma verdade inexpugnável e única, fazem do homem o escravo de seu meio. Sim, o Aprendiz, pela Iniciação maçônica, que é um novo nascimento, reencontra o estado da natureza; ele se liberta de tudo o que ela lhe tirou de espontâneo e de bom. (No hermetismo, a pedra bruta simboliza a primeira matéria, a “matéria-prima” que servirá para a elaboração da “Pedra Filosofal”. – Hermetismo – Doutrina esotérica que tira o seu nome de Hermes Trismegisto e que os primitivos gregos teriam ensinado aos iniciados). Ele reencontra a “Liberdade de Pensamento”, e, com os “Instrumentos” que lhe são fornecidos, desbastará ele próprio a “sua pedra” e conseguirá torná-la perfeita, imprimindo-lhe um caráter de personalidade que será seu e único. Na Maçonaria, contrariamente ao que ocorre na maioria dos outros agrupamentos humanos, cada Irmão conserva sua inteira liberdade; ele não pode nem deve receber nenhuma palavra de ordem suscetível de influenciar seus atos.
II        -         TRATAMENTO FRATERNO
O tratamento fraterno de “irmão” é geralmente adotado pelos Maçons. Eventualmente se emprega o “você” (tratamento íntimo entre iguais). O tratamento cerimonioso do mundo profano levanta uma barreira entre os homens e também entre os irmãos. Tratar como “irmão” garante a igualdade de todos e permite o nascimento de um verdadeiro sentimento de união. Se uma pessoa julgou-se digna de ser recebida como Franco-Maçom, ela é igualmente digna de ser colocada em pé de igualdade com todos os seus irmãos. Se ela se mostra indigna dessa familiaridade, é igualmente indigna de permanecer na Loja. Aquele que se nega a ser chamado de irmão ou você dá provas de uma vaidade deveras deslocada em nosso meio. Para a Maçonaria o maior será sempre aquele que mais disposto estiver a servir, o que mais se dedique ao bem comum.
III       -         AS COLUNAS DO TEMPLO
Profanamente dir-se-ia que coluna é um elemento de sustentação de uma construção. É um elemento importante da obra, pois que possibilita suportar ou equilibrar o peso de uma construção. Na obra pode também ter a função decorativa. Na regra geral significa apoio, sustentação, robustez. A coluna arquitetônica tem sua origem na Grécia Antiga. De outra forma podemos definir coluna como sendo o elemento arquitetônico destinado a receber as cargas verticais de uma obra de arquitetura (arco, arquitrave, abóbada) transmitindo-as à fundação. Embora tenha a mesma função de um pilar, este é geralmente mais robusto e de secção quadrada. A coluna tem normalmente forma cilíndrica, podendo também ser poligonal.
A coluna costuma ser caracterizada por uma estrutura mais esbelta e esguia, em prumo, o que lhe acarreta um significado histórico, decorativo e simbólico mais acentuado. Os materiais de construção podem variar entre a pedra, alvenaria, madeira, metal ou mesmo tijolo atingindo-se uma grande variedade formal e decorativa que se pode observar desde a antiguidade. A arquitetura moderna admite cinco ordens de colunas. Os antigos só tinham três: dórica, jônica e coríntia. A coluna dórica tem as proporções da força e da beleza do corpo do homem; a jônica tem a graça da mulher, sendo mais esbelta porque é um pouco mais alta; a coríntia tem as proporções mais delicadas e lembra uma donzela. Na Maçonaria o termo coluna é utilizado para designar o conjunto de obreiros de uma Loja. Em sentido figurado, significa os recursos físicos, financeiros, morais e humanos que mantém uma instituição maçônica em pleno funcionamento. Em maçonaria a palavra coluna possui derivações variadas, sendo as principais: Coluna JÔNICA: Ela simboliza a coluna da sabedoria personificada pelo Venerável. Simboliza também o Oriente e os Mestres. Fica localizada no oriente sobre a prancheta do Venerável. A coluna Jônica representa os Mestres de uma loja. Coluna DÓRICA: Simboliza a coluna da força e se personifica no 1º Vigilante. É a coluna que representa os Irmãos Aprendizes. É localizada sobre a mesa do 1º vigilante. Coluna CORÍNTIA: Simboliza a coluna da beleza. Personifica-se no 2º vigilante. É a coluna que representa os Irmãos Companheiros. Em loja fica localizada sobre a mesa do 2º vigilante. No templo podemos visualizar as seguintes colunas: Coluna B: - (coluna do Norte) É uma das colunas que guarnecia a entrada do templo de Salomão. Na expressão hebraica "booz", representando força. Simbolicamente é o local onde os Irmãos Aprendizes recebem seu salário, isto é, o centro de irradiação dos mistérios do grau, ou seja, é sob o abrigo desta coluna que os aprendizes recebem as instruções necessárias e aprendem a polir a pedra bruta. Em Loja, a coluna fica localizada no ocidente ao norte. A coluna é dirigida pelo 1º vigilante. Coluna J: (coluna do Sul) Também é uma das colunas que guarnecia a entrada do templo de Salomão. Significa segundo texto bíblico: Jeová se estabelecerá. As colunas B e J são também denominadas de colunas de Entrada. São as colunas que fortalecem a porta do templo. São encimadas por romãs entreabertas, ou por dois globos: um representando a terra e outro representando a esfera celeste, fazendo representar que a maçonaria é universal. As colunas B e J são também conhecidas por colunas solsticiais. São assim denominadas porque a coluna J situa-se ao sul e marca o solstício de verão e a coluna B, ao norte, o solstício do inverno. Na Maçonaria ouviremos ainda os seguintes termos, dentre outros: Coluna da Harmonia: Ela representa o conjunto de obreiros que concorrem para o brilhantismo dos rituais e festejos maçônicos. Coluna Gravada: Por coluna gravada entende-se toda proposição escrita e encaminhada ao Venerável e recolhidas pelo Irmão Mestre de cerimônia, por intermédio da bolsa de propostas e informações. Coluna Zodiacal: É a denominação dada ao conjunto de doze colunas, sendo seis situadas próximas a parede do norte e seis próximas à do sul. Em princípio, são as colunas que dão sustentação a abóbada do templo. Cada uma leva um emblema indicativo de uma constelação do zodíaco. Simbolicamente sustenta a calota celeste e representa cada uma um mês do ano maçônico. 
IV       -         CONCLUSÃO
Após sua iniciação, todo maçom deve construir simbolicamente colunas para ajudar na sustentação de seu templo maçônico e também do universal. Uma das características encontradas em quem realiza obras é a capacidade de visualizar suas fraquezas e esforço de eliminá-las. O Iniciado ao perceber a sua própria vulnerabilidade não deve se sentir rebaixado ou incompetente. Pelo contrário: luta e contribui com decisão na obtenção de bons resultados, tanto para ele quanto para o meio em que vive, refletindo diretamente no seu ambiente de trabalho. Cabe ao maçom o dever de ser coluna junto a sua família, no seu trabalho e especialmente junto à sociedade, dando exemplo de honestidade, de tolerância, de bom senso, de prática da justiça, de fé e união. O Iniciado precisa ser persistente em seus sonhos, manter o entusiasmo e firmar em si uma crença pessoal absoluta, visto que lhes é ensinado a confiar em suas habilidades, a polir a pedra bruta para fazer as situações acontecerem e perceber que são as suas ações que sustentam, além da família, toda uma coletividade. Ele aprende a interpretar aquilo que simbolicamente representam as colunas maçônicas atuando não apenas num trabalho isolado, mas sim, com o envolvimento de outros irmãos, com muito trabalho, esforço incessante, firmeza de propósitos, competência e planejamento. O maçom precisa construir no ambiente em que vive e junto à sociedade, colunas Dóricas (fortes) seguidas de colunas Coríntias (da beleza) e por fim de colunas Jônicas (da sabedoria), para possibilitar a construção de uma sociedade que lute com coragem pela igualdade, fraternidade e justiça social, bem como, livre de toda e qualquer opressão. O Iniciado necessita fortalecer seu caráter utilizando-se dos bons exemplos, das instruções recebidas dos irmãos, praticando boas atitudes, enfim, polindo a pedra bruta para que a mesma tenha lugar certo na construção da coluna que sustentará também seu templo individual. Coloquemos o Grande Arquiteto do Universo em nossas vidas, em nossas Lojas e não apenas em nossas palavras. Não recusemos a prece e o estudo. Pratiquemos todo o bem de que sejamos capazes. É preciso dedicação e estudo. Conhecimento e exercício. Sem exercitarmos o que parece termos aprendido jamais aprenderemos. Somos igualmente iniciados para construir o Reino do Grande Arquiteto do Universo, a principiar de nós mesmos. Trabalhemos por mais luz no nosso próprio caminho.

JOSÉ ARAGUAÇU – M.`. M.`. ARLS ESTRELA DO XINGU 69


terça-feira, 9 de setembro de 2014

VIVA A INDEPENDÊNCIA MORAL DO BRASIL

É fato histórico que a Ordem Maçônica em muito contribuiu para a efetiva emancipação político-social do Brasil. Nós, maçons, devemos sempre prestar homenagens aos nossos irmãos responsáveis pelas ideias e ideais que lançaram os raios da Luz da Verdade por sobre nossa Nação, elevando nosso País à qualidade soberano perante as demais nações do globo terrestre. Existe entre nós um laço sagrado, um sentimento da união fraternal. Este sentimento nos move e nos une a cada Reunião que realizamos e nos faz permanecer uníssono num só sentimento de fraternidade, verdadeiro imorredouro abraço. Homens de bons propósitos, perseguindo incansavelmente, a perfeição. Homens preocupados em ser, em transcender, num preito a espiritualidade e a crença no que é bom e no que é justo. Pregamos o dever e o trabalho. Dedicamo-nos à família acima de tudo, célula mater da sociedade e, por conseguinte, da nossa pátria e da humanidade. Dedicamo-nos ao bem estar da sociedade, pois temos por finalidade precípua ver feliz a humanidade: pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade, pela solidariedade e pelo respeito à autoridade e à crença de cada um. Somos incansáveis na defesa da pátria. Rendemos culto a Deus, a quem chamamos, em respeito a todas as religiões, de Grande Arquiteto do Universo. Em todo o mundo as sociedades maçônicas sempre se organizaram para beneficiar sua nação e seu povo e no Brasil não poderia ser diferente. No início do século XVIII, com o desenvolvimento econômico e intelectual da colônia, alguns grupos pensaram na independência política do Brasil, de forma que os brasileiros pudessem decidir sobre seu próprio destino. Ocorreram, então, a Inconfidência Mineira (1789) que marcou a história pela têmpera de seus seguidores; depois a Conjuração Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1817), todas elas duramente reprimidas pelas autoridades portuguesas. Em todos estes movimentos a Maçonaria se fez presente através das Lojas Maçônicas e Sociedades Secretas já existentes. Embora tenha, a Maçonaria brasileira, se iniciado em 1787, com a Loja Cavaleiros da Luz, criada na povoação da Barra, em Salvador, Bahia, só em 1822, quando a campanha pela independência do Brasil se tornava mais intensa, é que iria ser criada sua primeira Potência, com jurisdição nacional, exatamente com a incumbência do levar a cabo o processo de emancipação do país. Nessa época, funcionava no Rio de Janeiro, a Loja Maçônica “Comércio e Artes”, da qual eram membros vários homens ilustres da corte como o Cônego Januário da Cunha Barbosa, Joaquim Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira entre outros. O Brigadeiro Domingos Alves Branco Muniz Barreto, em uma Sessão da Loja “Comércio e Artes”, propôs que se conferisse ao Príncipe D. Pedro I, o título de “Protetor e Defensor Perpétuo do Brasil”. D. Pedro aceitou o título, propondo apenas a supressão do termo “Protetor”. Os maçons, habilmente, arquitetaram o desenrolar do 7 de setembro de 1822, lançando a ideia da convocação de uma Constituinte. Gonçalves Ledo e Januário Barbosa redigiram o projeto e, no dia 3 de junho, foi publicado o Decreto convocando a Assembleia Geral Constituinte e Legislativa. A proposta de admissão do Príncipe na Ordem, a 13 de julho de 1822, foi aprovada e a 2 de agosto, D. Pedro era iniciado na Loja “Comércio e Artes”, recebendo o nome de “Guatimozim”. Na tarde de 7 de setembro de 1822, às margens do Ipiranga, D. Pedro atendeu às recomendações da Maçonaria e o grito, “Independência ou Morte” segundo Adelino de Figueiredo Lima, era a denominação de uma das “palestras” da sociedade secreta “Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz”, fundada por José Bonifácio. Hoje a nossa luta não é mais pela independência da nossa Nação. Hoje, estamos unidos na defesa intransigente da ética e da moral, propugnando sempre pelo engrandecimento moral de nosso País. Estamos sempre envolvidos em movimentos que priorizem, notadamente, as políticas em prol da educação, do combate ao uso de drogas, na proteção ao meio ambiente através de políticas que garantam a sua preservação, a qualidade de vida da população e ao mesmo tempo possibilite o desenvolvimento sustentável, que garantam a liberdade de imprensa, como alicerce do Estado democrático de direito, o exercício do voto consciente, afastando do cenário político candidatos não comprometidos com o decoro necessário ao desempenho da função pública, enfim onde houver uma causa justa a Maçonaria se fará presente. Estamos sempre buscando estabelecer parcerias com o Governo e com a sociedade organizada para o atingimento de nossos objetivos. Nós, maçons, estaremos sempre prontos a servir ao nosso Brasil na luta contra toda forma de desigualdade e injustiça. Seremos guerreiros destemidos e incansáveis contra nefasta propagação do germe da corrupção no território pátrio, como se fosse epidemia, contaminando e destruindo os princípios morais e básicos da civilidade, afetando a todos, inclusive comprometendo as futuras gerações. Se o Grande Arquiteto do Universo nos permitir, poderemos bradar em alto e bom tom: VIVA A INDEPENDÊNCIA MORAL DO BRASIL. Sabemos quem somos e para onde vamos!

Juscelino Moraes do Amaral
Grão Mestre da Glomaron (Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia)

Fonte: http://www.gentedeopiniao.com/lerConteudo.php?news=84746

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A condição para ingressar na Maçonaria

A seleção do candidato obedece a alguns requisitos, devendo ser uma pessoa que faz parte da sociedade, simples, honesta, crendo em Deus e numa vida futura e que tenha inclinação para o “agrupamento” e com recursos financeiros para atender os compromissos da Instituição. No entanto, existem mais duas condições essenciais: “ser livre e de bons costumes”. Hoje, pelo menos entre nós, o conceito de liberdade passa a ser simples, e o de bons costumes, diz respeito a um comportamento normal. Contudo, essa “simplicidade”, apresenta aspectos relevantes que para o Maçom, são essenciais. No passado, e não muito distante, o escravo não podia fazer parte da Ordem Maçônica e, por esse motivo, o conceito de “liberdade” revestia-se de simplicidade: bastava não ser escravo. Abolida a escravidão, esse conceito simples foi revisto, surgindo, então a parte esotérica. A escravidão trouxe sequelas amargas e mesmo depois da abolição da escravatura, no Brasil, o antigo escravo, agora livre, continuava “negro” e marginalizado, sujeito ao mais odioso preconceito; e fazendo parte desse preconceito, o negro não era recebido na Maçonaria. Nas últimas décadas, no Brasil, esse preconceito foi superado; hoje, os homens de “cor” têm ingresso na Ordem e fazem parte da Arte Real; lamentavelmente, nos Estados Unidos da América do Norte, a Maçonaria negra é uma Instituição à parte; não há confraternização e cada “cor” tem as suas Lojas exclusivas e os seus Corpos Filosóficos “fechados”; apenas são toleradas as “visitas” chegadas de outros países. Assim, não podemos entender que a “liberdade” possa ser, exclusivamente, o direito de alguém ser livre, um cidadão com as mesmas garantias constitucionais dos demais. No Brasil, todos os cidadãos são livres. Em consequência, a “condição” do candidato de ser “livre” já não desperta qualquer interesse. É evidente que o conceito de liberdade é muito mais amplo que o direito de ir e vir. Da mesma forma, ser de “bons costumes” não significa o comportamento dentro de certos padrões ordenados pela sociedade. O “bom costume”, prima facie, se entenderia como aquele que demonstra “bom comportamento social”, porque pretende ingressar em uma Instituição Fraternal, como é a Maçonaria. “Bom costume” e “moral”, aqui, seriam sinônimos. Portanto, a condição de um “profano” ser considerado “livre e de bons costumes” não reflete o sentido lato da frase. Logo, cumpre encontrarmos a definição mais ampla, mais vertical e mais esotérica. Ser “livre” é possuir a faculdade, e também o dom, de sentir-se liberto, com uma amplitude universal. Nós, quando permanecemos na horizontalidade profana, sufocamos o “instinto” de liberdade. O “ser livre” Não é privilégio algum; apenas, o anseio de buscarmos o “primeiro passo” do caminho. Ser livre não significa romper as cadeias da tradição, do sistema social, da conjuntura familiar; ser livre significa trilhar um caminho de satisfações puras, sadias, que possa conduzir a uma meta realista: a felicidade. Ninguém poderá considerar-se livre, se infeliz. A liberdade dá tranquilidade e paz de espírito. Liberdade não é acomodação. Não se pode confundir as coisas. “Ser livre”, no conceito maçônico, é possuir o pensamento flutuante, pronto a aceitar o que é bom e satisfatório, sem depender até de uma análise profunda. O pensamento livre, rápido e instantâneo. A filosofia maçônica é a plenitude de uma vivência correta e feliz, mas de difícil alcance, porque os seus adeptos não vêm sendo selecionados com rigor; já não são convidados os homens “livres”, mas o são somente aqueles que têm uma conduta normal. É a horizontalidade da liberdade, quando há necessidade de uma liberdade vertical. “Ser livre” é a possibilidade de dispor de ânimo para receber o Irmão Maçom, com fraternidade. Pelo menos, com o primeiro impulso de concordância. O retoque para a conquista plena será dado posteriormente; através do convívio salutar, da experiência e do cultivo. A fraternidade é algo que deve ser conquistado; ninguém poderá impor a alguém, que ame a seu Irmão de ideal! Seria atentar contra o conceito de liberdade que a Maçonaria proclama. Essa proclamação não constitui o “sigilo maçônico”, porque quando o proponente contata o proposto, lhe fará a pergunta: “Sois livre e de bons costumes?”. Não basta a simples resposta afirmativa, porque os conceitos usuais sobre a liberdade e moral são muito acanhados e primários. Compete ao proponente pesquisar sobre essas condições, as quais, poderíamos dizer, seriam inatas do candidato. Ninguém, isoladamente e de forma individual, poderá “formar” um candidato e adaptá-lo às exigências maçônicas. Um candidato visado poderá ser instruído a ponto de se tornar apto ao ingresso na Ordem Maçônica. A Maçonaria precisa encontrar para propor, alguém que seja “livre e de bons costumes”, porque será um “predestinado”. É por este motivo que os Maçons são em número limitado; uma Instituição milenar tem poucos “prosélitos”, justamente porque é muito difícil encontrar um candidato “ideal”. Felizmente a humanidade não é tão dissoluta a ponto de não possuir elementos aceitáveis para a Maçonaria. Podemos adiantar que são milhões de homens dignos, mas a grande dificuldade é que nós não os encontramos e às vezes, estão ao nosso lado e dentro de nossa própria família. Aqui deveria funcionar a “terceira visão”. Logo, um proponente deve estar apto a “enxergar” no candidato em potencial, o elemento justo e perfeito para vir a ser mais um Irmão. Seria muito penoso respondermos a provável pergunta: e os maus Maçons? Realmente, por não ter havido uma seleção correta; existem os maus Maçons; talvez não devêssemos exagerar e nos expressar melhor: existem dentro das Lojas Maçônicas elementos que não eram ao serem propostos, “livres e de bons costumes”, e que se tomaram “pomo de discórdia”, mas, nada podemos fazer, senão usar de melhor arma que a Maçonaria nos proporciona, para com esses, a tolerância! A esperança de que, algum dia, possam ser instruídos e que se ajustem, o que seria, para a Instituição, um beneficio, mas para esses elementos, uma grande conquista! Para que alguém se possa considerar “livre” ou que os outros o possam assim admitir, faz-se necessário o toque espiritual. A aproximação de Deus - pois para o profano, a expressão da espiritualidade é Deus, enquanto para o Maçom é o Grande Arquiteto do Universo, quem busca a Deus o fará por desejo, por impulso ou por necessidade, mas será sempre a Grande Busca. Aqui não entra qualquer conceito de religião; apenas o comportamento natural entre o homem e o seu Criador. O conceito pleno de liberdade admite certa dose de misticismo. “Ser livre”, portanto, passa a constituir um “dom espiritual”, que pode ser inato ou cultivado. Se alguém se aproximar a um Maçom e lhe disser que deseja ingressar na Ordem Maçônica e como resposta ficar ciente de que a condição primeira será a de ser “livre e de bons costumes” e, em não o sendo, busque a maneira de conquistar a “liberdade”, poderá perfeitamente, despir-se de todos os entraves e aperfeiçoar-se para se “sentir livre”, dentro dos conceitos acima expendidos e, assim, habilitar-se ao ingresso na Instituição Maçônica. De forma que, o homem pode se “reconstruir” num trabalho de autorrealização! Excluído o ingresso na Maçonaria, o “ser livre” gratifica o homem, porque se tornará receptivo a compreensão do mistério da Vida e da Morte, princípio e fim da existência humana e princípio da existência espiritual. Dentro da Sociedade moderna é permanente a reunião desses “homens livres”, esperança derradeira para o mundo melhor que todos querem e de que a humanidade necessita. O homem que realmente é “livre” não alardeia essa condição privilegiada; mas como a luz não pode se esconder, muitos podem perceber essa condição e, evidentemente, haverá uma aproximação instintiva, no caso da pessoa tomar a iniciativa, que constituirá parte da “busca”. A parte profundamente mística reside no fato de que o Maçom é um “pedreiro livre” – free mason - sua tarefa precípua é “construir”, “em si”, o próprio Templo. Templo que tem uma destinação: o culto à Divindade; o aperfeiçoamento da parcela isolada para a construção da “Grande Catedral”, que é a humanidade e o conhecimento do “para onde iremos”, ou seja, a Vida Futura. Esse ponto básico, nada mais é que a “viabilidade desse “encontro”; a busca nem sempre é definida e muito menos definitiva. A “Grande Busca” será sempre a compreensão de que pode haver uma fusão entre criatura e Criador. Geralmente, o Maçom não é religioso no sentido de ser um praticante; em face disso, para satisfazer o anseio de sua alma, está constantemente buscando encontrar a tranquilidade que sua esposa demonstra, quando retoma de sua missa ou culto. Essa ansiedade nos vem do “bom costume” que trazemos do mundo profano, porque é comum a todos. Ser “livre e de bons costumes” não são duas atitudes separadas, mas uma complementação inseparável; ninguém poderá ser livre se não tiver bons costumes e ninguém terá bons costumes se não for livre. Portanto, a condição para um profano ser proposto para a Iniciação Maçônica há de ser o acima exposto, através de uma análise séria e completa, sem vacilações ou protecionismos, porque o ingresso de um só elemento desajustado põe em risco toda a Instituição.

Fonte: Aprendizado maçônico – Da Camino, Rizzardo.

JOSÉ ARAGUAÇU – M.`. M.`. ARLS ESTRELA DO XINGU Nº. 69


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

20 DE AGOSTO – DIA DO MAÇOM

“Cada casa tem seu arquiteto; mas o arquiteto de tudo é Deus .“ Hebreus, 3, 4.
“Em setembro de 1918, o Irmão Antenor de Campos Moura, então Venerável da Loja “Fraternidade de Santos”, propunha ao Grande Oriente do Brasil a instituição do “Dia do Maçom”, que seria comemorado não só como um dia de festa, mas também como um dia de beneficência e de caridade.Na data fixada, as Lojas de todo o Brasil deveriam realizar uma sessão que fosse Econômica, ou Magna de Iniciação, ou branca; não deveria ser exigido que se cumprisse um programa arcaico e muitas vezes despido de interesse.Cada Loja que fizesse uma reunião como bem entendesse.Posteriormente foi fixada a data que no Brasil comemora-se todos os anos no dia 20 de agosto e nos Estados Unidos da América dia 22 de fevereiro.O dia 22 de fevereiro, conhecido como dia internacional do Maçom, é uma homenagem ao dia do nascimento do Ir∴ George Washington, personagem principal da independência daquele país.No Brasil escolheram o dia 20 de agosto em face ao papel da maçonaria na independência do Brasil.Essa data entrou para o calendário oficial brasileiro como o Dia do Maçom por conta de proposta apresentada em 1957 na CMSB - Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, que congrega as 27 Grandes Lojas Estaduais brasileiras.Na época, vários municípios e estados já possuíam lei similar, e a Maçonaria brasileira em geral já comemorava seu dia em tal data.A razão de a Maçonaria ter escolhido o dia 20 de agosto é por conta de Ata de reunião do então Grande Oriente Brazílico, datada do 20º dia do 6º Mês da Verdadeira Luz.Nessa reunião, presidida por Gonçalves Ledo, os maçons presentes teriam aprovado a Independência do Brasil, sobre a qual Dom Pedro seria informado e deveria aderir, tornando-se Imperador, ou voltar para Portugal.Existe documento histórico, para ser mais exato, o Balaústre da Sessão Conjunta das Lojas “Comércio e Artes” e “União e Tranquilidade”, ambas do Oriente Rio de Janeiro, onde o Irmão Gonçalves Lêdo proferiu um eloquente discurso em prol da independência do Brasil, sendo aprovado por unanimidade.A data do Balaústre que aprovou a independência do Brasil foi o 20° dia do 6° mês maçônico do ano da V∴ L∴ de 5.822, interpretado como 20 de agosto de 1822 da E∴ V∴. Após aprovado o Balaústre da referida Sessão Extraordinária foi expedido comunicado ao Ir∴ Dom Pedro I e ao Sob∴ Gr∴ M∴ Ir∴ José Bonifácio, que estava ausente por motivo de viagem.O acontecimento é fato irrefutável, comprovado pelo Balaústre gravado e assinado por quem de direito, que fizeram parte da história da maçonaria e do Brasil. No entanto, historiadores e maçons contestam a data, pois existiria um erro ao traduzir o calendário Equinocial para o Gregoriano.Sabe-se que o ano no calendário Equinocial começa no dia 21 de março, consequentemente traduz a data da referida Sessão para 09 de setembro de 1822 do nosso atual calendário Gregoriano, pois este seria o 20° dia do 6° mês do calendário Equinocial.Esse equívoco na data histórica não exclui a importância ou obrigação de comemorar o dia do Maçom, pois o que comemoramos não é o discurso proferido pelo Ir∴ Gonçalves Lêdo ou seus efeitos, mas, sim, a existência do Maçom, neste caso no Brasil.Aquele ato, que inspirou os nossos antepassados para escolherem a data, foi importante como várias outras ações que inúmeros IIr∴ realizaram e ainda continuam realizando no anonimato ou não, em prol da humanidade e da nação brasileira. Mas, nada disso é possível se não aprendermos os princípios maçônicos que recebemos pelos Rituais e nas instruções dentro e fora de Loja.Diante disso, necessário se faz compreender o que é ser maçom, estudar as obras maçônicas e rituais para colocá-los em prática.Logo, ser maçom é viver na Luz, conhecer e defender a Verdade, os princípios maçônicos e morais, sempre invocando o GADU e em constante defesa da Família, da Pátria e da Humanidade, combatendo os vícios, consequentemente tornando-se virtuoso para honrar a denominação de Maçom.Por vezes perguntamos. O que tem levado tantos homens, no mundo inteiro, a abraçar esta Instituição, seguir e difundir seus princípios?Acreditamos que o motivo fundamental é porque confiamos nos princípios sobre os quais ela foi construída: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Crer nos ideais de buscar a perfeição e praticar a beneficência. Aperfeiçoar-se e servir.Há a lição da irmandade. O sagrado sentimento de união entre os Irmãos, que nos traz a cada sessão e nos faz permanecer num fraterno e imorredouro abraço.Homens de bons propósitos, perseguindo, incansavelmente, a perfeição. Homens preocupados em ser, em transcender, num preito à espiritualidade e a crença no que é bom e justo. Pregam o dever e o trabalho. Dedicam especial atenção à manutenção da família, ao bem estar da sociedade, à defesa da Pátria e o culto ao Grande Arquiteto do Universo.Temos perfeita consciência de nosso papel social e da importante parcela de responsabilidade na missão de transformar o mundo, modificando, aprimorando as coisas que nos cercam.Parabéns a todos os IIr, livres e de bons costumes, especialmente os que buscam viver como verdadeiros Maçons, “levantando Templos à virtude e cavando masmorras ao vício para que sejamos Justos e Perfeitos.

JOSÉ ARAGUAÇU – M.`. M.`. – ARLS Estrela do Xingu nº. 69.

    http://www.noesquadro.com.br/wp-content/uploads/2012/08/20-de-Agosto-a-Ma%C3%A7onaria-e-a Independ%C3%AAncia-do-Brasil-Kennyo-Ismail.pdf
    http://www.obreirosdeiraja.com.br/20-de-agosto-e-considerado-o-dia-do-macom-no-brasil/

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ADESÃO DO PARÁ À INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

15 de Agosto de 1823 marca a integração do povo paraense, em sua identidade brasileira, ao ideário de independência do Brasil e a negação de obediência a D. João VI que retornara a Portugal em 1820, mas que deixa uma crise no Estado em função da necessidade de opção local pelo Brasil ou a Portugal.
Segundo a historiadora Magda Ricci, da Universidade Federal do Pará, “a adesão tardia do Pará ocorreu em razão de uma forte ligação entre a elite paraense da época com a comunidade e os comerciantes portugueses. Belém tinha o mesmo status que a cidade lusitana do Porto, e o bispado daqui era muito ligado ao de Portugal, o que fortalecia os laços entre paraenses e portugueses”, afirma a professora.
 O Pará carrega consigo as marcas da presença portuguesa na Amazônia, sendo Belém, a capital, a maior expressão dessa presença a partir das inúmeras construções nos bairros da Cidade Velha e Campina com resquícios marcantes da colonização e de uma elite arraigada de tradições europeias e muito ligada à Corte portuguesa.
O feriado existe há 14 anos e foi instituído pelo ex-deputado estadual Zeno Veloso, que propôs que todos os outros feriados estaduais fossem extintos com a criação desse feriado. Uma medida "anti-feriadista", segundo o próprio autor. Para propor a matéria, Zeno inspirou-se na Lei Federal nº 9.093, de setembro de 1995, que obrigou os Estados a determinarem um dia para a comemoração da sua data magna. 
A estrela solitária no círculo no azul acima da faixa branca com a inscrição positivista "Ordem e progresso" na bandeira Nacional é uma referência à adesão do Estado à Independência do Brasil em 15 de agosto de 1823. Para muitos, a data não tem um significado, mas se trata de um dos eventos históricos mais importantes e com consequências trágicas como o massacre do "Brigue Palhaço" e uma série de revoltas que culminaram com a Cabanagem, em 1835. 

O historiador David Salomão, afirma que, na época, início do século XIX, tanto a província do Pará quanto a do Maranhão tinham suas elites locais mais atreladas a Portugal do que ao resto da colônia. Ele comenta ainda que o episódio da "adesão" remete a um pacto pacífico entre os militares mandados por D. Pedro I e os que mandavam no Pará, quase todos de origem europeia. "Mas, não foi bem assim. A ‘adesão’ não foi pacífica e levou a revoltas sangrentas, inclusive à tragédia do ‘Brigue Palhaço’, que poucos comentam, mas teve consequências terríveis, com protestos por várias cidades até outubro de 1823", assinala.


LEI N° 6.297, DE 14 DE JUNHO DE 2000.
Institui o "Desfile da Cidadania" e dá outras providências.
A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARÁ estatui e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1° - Fica instituído o "Desfile da Cidadania", a acontecer anualmente, no dia 15 de agosto, data em que se comemora a Adesão do Pará à independência do Brasil.
Art. 2° - Poderão participar do desfile as bandas escolares de instituições públicas e privadas que assim o desejarem.
Art. 3° - As bandas participantes do desfile se submeterão a um corpo de jurados que deverá escolher entre as participantes o primeiro, segundo e terceiro lugares.
Art. 4° - Junto com as bandas poderão desfilar também:
I - alunos campeões dos jogos estudantis nas diversas modalidades;
II - grupos folclóricos paraenses;
III - entidades não governamentais sem fins lucrativos.
Art. 5° - O Poder Executivo regulamentará a presente Lei no prazo de 30
(trinta) dias de sua publicação.
Art. 6° - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 7° - Revogam-se as disposições em contrário.
PALÁCIO DO GOVERNO, 14 de junho de 2000.
ALMIR GABRIEL
Governador do Estado


JOSÉ ARAGUAÇU – M.`. M.`. – ARLS Estrela do Xingu nº. 69.

Fonte:               http://bordalo13.blogspot.com.br/2013/08/adesao-do-para-independencia-do-brasil.html
                         http://www.alepa.pa.gov.br/alepa/arquivos/bleis/leis299798.pdf

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A PRÁTICA DA MAÇONARIA E O PRECONCEITO

Ainda existe confusão ao conceituar o que é a prática da maçonaria. A maçonaria está confundindo sua prática com a ritualística. As Lojas Maçônicas, quando em reunião, estão praticando apenas a ritualística, ou seja, executando o desenvolvimento dos rituais dos diversos ritos existentes.Poucas lojas durante as práticas das ritualísticas conseguem transmitir conhecimentos filosóficos mais aprofundados, o que torna invariavelmente, as reuniões monótonas, e cansativas, não existindo satisfação e proveito.
O maçom tem que ter muita força de vontade para superar tudo isso, e buscar o conhecimento pelo processo de pesquisa e estudo, o que o torna um autodidata. Quem não procura aprender através de seus próprios esforços, dificilmente obtém conhecimento e sabedoria.
A prática da maçonaria não acontece dentro de Loja, ela acontece do lado de fora, no dia a dia do mundo profano.
O aprendizado do conhecimento e obtenção de sabedoria é de foro íntimo, onde cada irmão procura a sua evolução por si mesmo. É dito que quando o discípulo está pronto, o mestre aparece, e o mestre aparece quando fazemos despertá-lo em nosso interior. Não adianta buscar o conhecimento e não praticá-lo.
A prática da maçonaria é de trabalho em grupo, e como foi dito, não é feita dentro de Loja, que geralmente se transforma em uma reunião social, sem maiores objetivos.
Na constante busca pela luz, temos que ter consciência que para encontrá-la, o nosso coração deve estar acesso e receptivo.
Na prática do ritual maçônico estamos perdendo o que é essencial, estamos praticando a fraternidade pela metade, hoje o que mais importa é saber a qual potência ou obediência pertencem os irmãos, não importa que eles também estejam em busca de conhecimento e luz. Os ensinamentos da filosofia maçônica devem ser exercidos e praticados em favor dos menos favorecidos. É quando estamos do lado de fora do templo que temos o dever de colocar em prática, as virtudes que procuramos obter, só então, entenderemos o significado da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.
Quando alguma Loja impede acesso em suas reuniões de irmãos de uma ou outra potência ou obediência, elas só estão impedindo a participação nos trabalhos ritualísticos, pois, como se deve saber a maçonaria não tem proprietários, não se sabe de alguém que tenha depositado nas mãos de qualquer pessoa uma chave ou mesmo um título de propriedade da sublime instituição, ninguém tem condições de impedir a prática da maçonaria fora dos templos, aliás, é melhor que não se participe de uma reunião com aqueles que se dizem irmãos, mas possuem mentalidade tão atrasada e que só demonstram desconhecer totalmente o que seja Liberdade, Igualdade e Fraternidade, aquilo que pregam e divulgam só consta nos discursos oficias, não existe a sua verdadeira prática, não tendo portando nada de positivo a acrescentar para o engrandecimento da maçonaria. Desconhecem o grande ensinamento cristão “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS, FORMAI UMA ÚNICA FAMÍLIA, SEJAM TODOS IRMÃOS”.
O preconceito utilizado na maçonaria mostra a pequenez de administrações mal preparadas para gerir a maçonaria, eles desconhecem o que seja maçonaria universal; o valor dos vários ritos existentes; a existência de outras potências e obediências que praticam a verdadeira maçonaria; eles não sabem o significado da palavra, Irmão.  Eles podem ser tudo e qualquer coisa na vida, mas não podem dizer que sejam irmãos.
A ausência de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, gera o fanatismo, a ignorância e a superstição, que por sua vez, causam o preconceito. Então, surgem a brigas, ofensas, desarmonias entre potências e obediências.
Os ensinamentos maçônicos preconizam a busca constante da verdade. Como procurá-la onde existe o preconceito?

A filosofia de vida e conhecimento maçônico veio até nós, através dos tempos, é o somatório da sabedoria de outras instituições e que nos foram passados gratuitamente por gerações passadas que desconheciam o termo preconceito.
“O pior cego e aquele que não quer enxergar”, o pior maçom é aquele que não conhece as origens da maçonaria e não sabe quando e onde praticar a maçonaria, não está preparado para utilizar a palavra Irmão.
Existem vários caminhos que levam ao aperfeiçoamento maçônico, e não apenas dois ou três como querem fazer crer alguns insensatos “irmãos”.
O verdadeiro maçom não pode ter preconceito de raça, cor ou religião, o conhecimento é uma necessidade para a prática da maçonaria, a busca da sabedoria e o aperfeiçoamento espiritual. A disputa pelo poder nos afasta de nossos objetivos. Vemos hoje a formação de grupos paramaçônicos, academias, associações, museus, e até mesmo fundações, que só fazem aumentar o preconceito entre irmãos, a fraternidade é desconhecida, fecham-se em grupos de potências ou obediências, devem se sentir com grande orgulho, os eleitos pelo Grande Arquiteto do Universo para serem os donos da luz. A luz está à disposição de todos, receber esta luz e retê-la, significa perdê-la.
Só quando o nosso autoconhecimento estiver completo, teremos condições de abrir os véus que nos impedem de ver a verdadeira universalidade, então, não haverá mais as ditas potências ou obediências, só então, poderemos afirmar com convicção que nos reconhecemos como irmãos, e que a Maçonaria é Universal.

JOSÉ ARAGUAÇU – M.`. M.`. – ARLS Estrela do Xingu nº. 69.  

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Instalação da Maçonaria no Pará

A ideia da fundação de uma Loja, em Belém, foi de Domingos Simões da Cunha, sob os auspícios do presidente da Província coronel José Felix Pereira Burgos, Barão de Itapicuru-Mirim, português de origem, que a governava pela segunda vez: (28/5/1825 a 14/4/1828) e (14/7/1830 a 19/7/1831).
Com o nome de Tolerância, ela foi instalada no dia 22 de janeiro de 1831, na casa do almoxarife dos Armazéns da Marinha Gaspar Corrêa de Vasconcellos, sita no Largo dos Quartéis.
Instalada, em Belém, no antigo “Largo do Quartel” (depois Praça Saldanha Marinho, hoje Praça da Bandeira), a primeira Loja Maçônica do Pará, denominada de “Tolerância”. O instalador foi o Barão de Itapecuru-Mirim (José Felix Pereira de Burgos). Esta loja foi destruída pelos cabanos quando da tomada da capital (07 de janeiro de 1835).
A Revolução Constitucionalista de Portugal, do ano de 1820, previu que as antigas capitanias brasileiras deveriam mandar representantes às Cortes. Em 1821, no Pará, foram eleitos o maçom, estudante de Direito em Coimbra e oficial da Marinha Felipe Alberto Patroni Martins Maciel Parente e o alferes de milícias Domingos Simões da Cunha, que também seria iniciado, enquanto o Rio Negro indicava João Lopes da Cunha e José Cavalcante de Albuquerque.
Foram filiados nessa Loja:
    Coronel José de Araujo Rozo- Caramuru - Primeiro Presidente da Província do Grão-Pará (2/5/1824 a 28/5/1825).
    Marcelino José Cardoso – Caramuru. Médico e Presidente interino da Província entre 7/8/1831 e 27/2/1832, após a deposição do Presidente filantrópico Bernardo José da Gama, visconde de Goiana.
    Tenente-Coronel José Joaquim Machado de Oliveira – Presidente da Província de 27/2/1832 a 4/12/1833. Também tinha tendências liberais, e indiciou 49 implicados na deposição do Presidente anterior, muitos dos quais foram deportados para Portugal. Anistiou Batista Campos e mandou desarmar a guarda de Marcos Martins, organizando em seu lugar a Guarda Imperial, entregue ao “exaltado” tenente Germano Máximo de Souza Aranha, pacificador de Santarém, em 1831, quando aquela cidade se manifestou contrária à Abdicação. Em abril de 1833 enfrentou a denominada Rebelião de Jales, considerada como a última tentativa portuguesa de permanência no Brasil.
    Bernardo Lobo de Souza – Presidente da Província de 4/12/1833 a 7/1/1835. Logo entrou em choque com o padre Batista Campos, a maior figura política da Província e que sucumbiu no início da Cabanagem.
    Coronel Henrique Ambrósio da Silva Pombo, Barão do Jaguari, Caramuru.
    Coronel Manoel Sebastião de Mello Marinho Falcão, comandante dos Guardas Nacionais do município de Belém. Morto no início da Cabanagem. Membro da câmara municipal. Filantrópico.
    Coronel João Henriques de Matos, comandante do Corpo de Artilharia.
    Capitão de Mar e Guerra José Joaquim da Silva, foi membro do Conselho Provincial.
    Capitão de Mar e Guerra Guilherme Cypriano Ribeiro, intendente da Marinha.
    Tenente-Coronel Antonio Corrêa Seara.
    Major José Batista da Silva, o Camecran, membro da câmara municipal, do Conselho Presidencial, filho do bispo Manuel Caetano Brandão.
    Capitão de Artilharia Antonio Bernal do Couto, comandante da bateria do Castelo.
    Capitão Raimundo Veríssimo Nina secretário do comando de Armas.
Capitão Domiciano Ernesto Dias Cardoso. Caramuru. Morto pelos cabanos, durante a  invasão do Palácio.
    Antonio de Lacerda Chermont, Barão e visconde do Arari.
    Antonio Manoel de Souza Trovão, membro da câmara municipal e do Conselho Presidencial. Filantrópico.
    Pedro José de Alcântara.
    Antonio Feliciano da Cunha e Oliveira, advogado.
    Marcelino José Cardoso, médico formado em Coimbra, em 1825, membro do Conselho da Presidência.
    Padre Silvestre Antunes Pereira da Serra, cônego da Catedral.
    Padre Gaspar de Siqueira e Queiroz, cônego, filantrópico, inicialmente amigo de Baptista Campos, deportado para Marabitanas, em agosto de 1831. Tornou-se depois seu feroz inimigo, redigindo o jornal Correio Oficial Paraense, que apoiava Lobo de Souza.
    Padre José Lourenço de Souza.
    Manoel Rodrigues de Almeida Pinto, funcionário público.
    João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha, funcionário público, futuro 1º Presidente da Província do Amazonas.
    Marco Antonio Rodrigues Martins, o Mundurucu Pai Quicé, membro da câmara municipal.
    Diogo Vaz da Moya.
    Manoel Evaristo da Silva e Souza.
    Domingos Simões da Cunha.
    João Antonio Corrêa Bulhão, proprietário.
    João Gama Lobo de Anvers, proprietário.
    Manoel Vicente de Carvalho Pena, proprietário.
    Bento Garcia Galvão D’Haro Farinha, proprietário.
    Vicente Antonio de Miranda, proprietário.
    Antonio José de Miranda, proprietário.
    José Soares de Azevedo.
    José Ribeiro Guimarães.
    João Manoel Rodrigues Martins.
    Teodósio da Silva Neves, comerciante.
    José Paes de Souza, comerciante.
    Manoel Gomes Pinto, comerciante.
    Honório José dos Santos.
    José Joaquim Rodrigues Martins, proprietário.
    Manoel Emílio Pereira Guimarães, proprietário.
    João Antonio de Souza Azevedo Quebra, proprietário.
    João Henrique da Silva Lavareda, comerciante e outros.

JOSÉ ARAGUAÇU – M.`. M.`. – ARLS Estrela do Xingu nº. 69.